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  • C. F. Telles - escritor

cavaleiros de aço - c. f. telles

editora chiado





Havia cheiro de sangue e metal por todo o lugar.

Soldados do Grupo Tático Operacional, da polícia de Red City, eram atacados pelos drones aéreos e cães robôs da organização criminosa Gênesis Negra.

Os cães robóticos, semelhantes a dobermans, eram implacáveis e ferozes com suas mandíbulas de aço e dentes afiados, dezenas deles, caçando os policiais um a um pela gigantesca comunidade conhecida como Complexo Babilônico.

E se não fosse o bastante, os letais drones aéreos impediam o auxílio dos helicópteros às tropas policiais em terra.

Naquele momento, a morte para todos era certa, e os traficantes, portando seus fuzis eletrônicos,

aproximavam‑se do local onde alguns policiais sobreviventes estavam abrigados.

Agora os policiais Steve e Péricles só esperavam uma coisa: um milagre na maior favela dos Estados

Unidos!


CAPITULO I

Como tudo começou

Em um futuro próximo.


Os Estados Unidos viveram sua pior crise social e financeira desde sua fundação, em 4 de julho de 1776.

Tudo começou quando o sistema operacional para computadores quânticos, conhecido como Vega, passou a substituir o antigo sistema Windows. Esse novo sistema, era eficiente, dinâmico e barato, um produto unânime entre os usuários no mundo e adotado por governos e empresas.

Vega não era apenas um sistema operacional para computadores quânticos, era um programa criado pela China, com a função de espionar e derrubar todo o sistema computacional da América do Norte e seus aliados.

Tudo fazia parte de um inescrupuloso plano, idealizado pelo governo comunista chinês, ordenado pelo Ditador Yan Chéng.


Inseridos na programação do novo sistema operacional estavam três poderosos vírus camuflados em um código criptografado avançado, fazendo de Vega o cavalo de troia mais elaborado da história cibernética, e o mais devastador também.

Os três poderosos vírus, criados pelos notáveis programadores do governo chinês, tiveram a função

primária de roubar informações comerciais e bélicas dos Estados Unidos, depois desativar os complexos sistemas de defesa das Forças Armadas Americanas, deixando obsoletos aviões‑caças, mísseis, veículos de combates e o Pentágono.

O golpe final dos três vírus foi provocar um colapso sem precedentes na economia americana, derrubando a Bolsa de Nova Iorque e a Nasdaq, de forma permanente.

A fase bônus, a mais cruel de todas, impediu o funcionamento de todos os computadores no território

americano, ocasionando um bloqueio sistemático do programa ao ligar a máquina.

Com este colapso tecnológico, provocado pela China através de Vega, os Estados Unidos tiveram anos

de atraso comercial e tecnológico em relação ao resto do mundo.

Todo conhecimento computacional da nação norte‑americana teve que ser recriado do zero e, quando estavam prestes a concluí‑lo, Vega atacava impiedosamente, fazendo os técnicos e engenheiros volta‑

rem à estaca zero.

Esse período, na história norte‑americana, ficou conhecido como A era da escuridão total sem estrelas.

Especialistas afirmavam que a terceira guerra aconteceu sem o disparo de uma só arma, ou o lançamento de uma só bomba. A América foi derrotada através apenas de tecnologia.

O ataque da China, ordenado pelo seu ditador, foi uma guerra imoral e antiética, onde todo o conhecimento de séculos da América foi apagado. Todas as informações e projetos tecnológicos americanos foram transferidos para os imensos bancos de dados da China, através do Vega.

O colapso financeiro e social americano foi tão grande que os Estados Unidos, em alguns anos, passaram a ser classificados de superpotência econômica para país emergente. O mundo passou a adotar o euro como moeda principal para as transações econômicas.

Trilhões de dólares em reservas americanas viraram pó com a desvalorização e o povo americano

passou a não mais acreditar no sonho. Tudo era agora cinza, um pesadelo sem fim.


Milhões de mortos por suicídio, milhões de mortos por doenças, milhões de mortos pela violência, milhões de desempregados e um só responsável: Vega.

A águia fora trancada em um quarto escuro, definhando lentamente na história. Com o passar do tempo,

ninguém mais se lembrava de como a América havia sido próspera um dia.

Sem nenhum concorrente, a China avançou na economia e em tecnologia, sendo o primeiro país a colonizar definitivamente Marte no ano de 2063.

E, assim, todos os países obedeciam à única potência totalitária e dominante do planeta: a China do

ditador Yan Cheng.

Com a morte do ditador chinês, envenenado no dia do seu aniversário, a China tomou um novo rumo político. Depois de uma turbulenta guerra civil, o Partido Comunista da China retomou o poder e uma das medidas do novo governo foi desativar o programa Vega definitivamente.

Para reparar o dano histórico, causado pelo ditador chinês aos Estados Unidos, o país liderado agora pela presidente Mei Ling Li ofereceu ajuda financeira e tecnológica aos americanos, como pedido de desculpas.


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CAPITULO II

Lutando para sobreviver



Ano de 2074. Quarenta anos após a queda americana.

Zona Industrial de Red City. Nove e meia da manhã.


Em um armazém abandonado, na área industrial de Red City, acontecia a luta de robôs. Um campeonato realizado de forma clandestina cujos participantes eram jovens criadores de pequenos robôs de luta para disputar o prêmio de mil euros pagos ao vencedor pela máfia local.

As apostas aconteciam no local e online e atraíam um grande público ao evento. Era uma prática proibida pela prefeitura de Red City, mas o prefeito recebia o que era seu.

As disputas dos pequenos robôs aconteciam em uma arena octogonal cercada de vidro blindado. Ganhava o prêmio o robô que permanecesse funcionando por último. Inutilizar o robô do oponente era obrigatório e, caso não acontecesse, o prêmio era dividido entre os competidores.

Não havia limite de idade para os jogadores, formato do robô ou técnica usada no combate. O robô só

não poderia voar. Disputas aéreas eram outro tipo de campeonato, o de corridas robóticas aéreas.

A máfia local, dominada pela família Santoro, era quem organizava o evento. Eles ganhavam centenas de milhares de dólares em cada disputa gerenciando as apostas. A tradicional família de mafiosos transmitia o evento online, fazia as apostas e garantia o evento semanal, pagando uma parte das autoridades locais, a prefeitura e alguns policiais. Dom Enrico Santoro era o patrocinador do evento e amava as lutas de robôs, recebia apostas de toda a América e vários lugares no mundo, pagava pouco aos seus meninos, como ele chamava os competidores que participavam do evento e ganhava milhares de dezenas de euros por noite.


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